sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tempo


Ontem...
...aquela música fez meu coração lembrar,
que estou longe de você, sinto sua falta.

Hoje...
...os meus pés sentem o cansaço da saudade,
eles pedem sua companhia, te procuram pelas ruas.

Amanhã?
... nem sei se ele existe para mim, não sou dono do tempo,
e mesmo assim, continuarei a te amar.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lágrimas



Hoje a saudade me toma,
me bebe como cálice sem pudor,
consome meu consciente,
rasga meus olhos,
flamuja em mim as lagrimas.

Caminhando sem razão,
sou postulado pela solidão,
ter de viver longe assim 
o peito arde, deprimido quase morre
Mas não, não vou morrer.

Sou forte em meu amor,
e mesmo sem te ver,
propago em mim, você.
a razão do meu sorriso
a razão de minhas lágrimas.


Amor - Pois que é Palavra Essencial

Amor — pois que é palavra essencial 
comece esta canção e toda a envolva. 
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, 
reúna alma e desejo, membro de vulva. 

Quem ousará dizer que ele é só alma? 
Quem não sente no corpo a alma expandir-se 
até desabrochar em puro grito 
de orgasmo, num instante de infinito? 

O corpo noutro corpo entrelaçado, 
fundido, dissolvido, volta à origem 
dos seres, que Platão viu completados: 
é um, perfeito em dois; são dois em um. 

Integração na cama ou já no cosmo? 
Onde termina o quarto e chega aos astros? 
Que força em nossos flancos nos transporta 
a essa extrema região, etérea, eterna? 

Ao delicioso toque do clitóris, 
já tudo se transforma, num relâmpago. 
Em pequenino ponto desse corpo, 
a fonte, o fogo, o mel se concentraram. 

Vai a penetração rompendo nuvens 
e devassando sóis tão fulgurantes 
que nunca a vista humana os suportara, 
mas, varado de luz, o coito segue. 

E prossegue e se espraia de tal sorte 
que, além de nós, além da própria vida, 
como activa abstracção que se faz carne, 
a ideia de gozar está gozando. 

E num sofrer de gozo entre palavras, 
menos que isto, sons, arquejos, ais, 
um só espasmo em nós atinge o clímax: 
é quando o amor morre de amor, divino. 

Quantas vezes morremos um no outro, 
no húmido subterrâneo da vagina, 
nessa morte mais suave do que o sono: 
a pausa dos sentidos, satisfeita. 

Então a paz se instaura. A paz dos deuses, 
estendidos na cama, quais estátuas 
vestidas de suor, agradecendo 
o que a um deus acrescenta o amor terrestre. 


Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'

domingo, 11 de julho de 2010

Meu pai.

                                                     http://zepower.files.wordpress.com/2008/08/oxossi.jpg

    O senhor dos meus passos
    caminha ao lado,
    ele trilha meu caminho
    de folhas verde e amarela, 
    não me perco, não fico sozinho, não saio da trilha.

    Ele me guia pela natureza, 
    de dentro do meu coração,
    e num giro de caça-caça, 
    me conduz aos pés de Zambi!
    Meu lugar é perto de meu pai,
    lá nas matas, que é morada.

    Odé, caçador de maravilhas,
    Norteia-me até a luz,
    E grato sou, sempre serei.
   Okê caçador...
   Okê meu pai...

QUEM NUM TEM EMELHO, XIMBA!

http://www.ecs.psu.edu/ComputerSupport/images/email.gif




Aí galera, 
             Esse emelho é de Craudinei, mas aqui é Jonilso que tá falano.

É porque eu num tenho emelho, aí ele me liberôpra escrevê no dele. E eu quero falá é sobre isso mermo: emelho. A parada é a seguinte: ôto dia eu tava percurano um serviço no jornal aí eu vi lá uma vaga na loja de computadô. Aí eu fui lá vê colé a de mermo. Botei uma rôpa sacanage que eu tenho, joguei meu Mizuno e fui lá, a porra. Aí eu cheguei lá, fiz a ficha que a mulé me deu e fiquei lá esperano. Nêgo de gravata e as porra, eu só "nada... tô cumeno nada!". Aí, eu tô lá sentado, pá, aí a mulé me chama pa entrevista, lá na sala dela. Mulé boa da porra! Entrei na sala dela, sentei, pá, aí ela começô: a mulé perguntano coisa como a porra, se eu sabia fazê coisa como a porra e eu só "sim sinhora, que eu já trabalhei nisso e naquilo", jogano 171 da porra na mulé e ela cumeno legal, a porra!

Aí ela parô assim, olhô pra ficha e mim perguntô mermo assim: "você mora aí, é?", aí eu disse "é". Só que eu nun sô minino, botei o endereço de um camarado meu e o telefone, que eu já tinha dado a idéa pra ele que se ela ligasse pá ele, ele dizê que eu sô irmão dele e que eu tinha saído, pra ela deixá recado, que aí era o tempo dele ligá pro orelhão do bar lá da rua e falá comigo ou deixá o recado que a galera lá dá. Eu nun vô dá meu endereço que eu moro ni uma bocada da porra! Aí a mulé vai pensá o que? Vai pensá que eu sô vagabundo tomém, né pai... Nada! Aí, tá. A mulé só perguntano e eu jogando um "h" da porra na mulé, e ela gostano vú... se abrindo toda... mulé boa da porra! Aí ela mim disse mermo assim: "ói, mim dê seu emelho que aí quando fô pra lhe chamá... - a mulé já ía me chamá já - ... quando fô pra lhe chamá, eu lhe mando um emelho". Aí eu digo "porra... e agora?". Aí eu disse a ela mermo assim "ói, eu vou lhe dá o emelho de um vizinho meu pra sinhora, que ele tem computadô, aí ele mim avisa". Mintira da porra, que o cara mora longe como a porra e o computadô é lá do trabalho dele, aí ele ía tê que mim avisá pelo telefone lá da rua.

Aí, depois quando eu disse isso, a mulé empenô. Sem mintira niua, ela me disse mermo assim: "aí, não! como é que você qué trabalhá na loja de computadô e não tem emelho?". Aí ela bateu no meu ombro assim e disse "Ói, hoje em dia, quem num tem emelho ximba!". Falô mermo assim, véi, a miserave da mulé. Miserave! Mas aí, eu ía fazê o que, véi?

Aí uns dias depois eu acabei conseguindo um seviço de ajudante de predero: um pau da porra! Eu pego 7 hora da manhã e leva direto, a porra, de 7 a 7, aí meio dia para pra almuçá, comida fêa da porra, e acabô o almoço nun discansa não, volta pro seviço. É pau, vú véi... é pau viola mermo. É por isso que eu digo, é como a mulé disse: "quem nun tem emelho ximba, véi!". É isso aí. Os cara que nun recebero esse emelho vai ximbá, na moral, dá um pau da porra, quando chegá fim de mês, recebê uma merreca. Agora pra você que recebeu esse emelho, eu vô lhe dá a idéa, ói, vá lá na loja que ainda tem a vaga! Já fui!

Esse emelho é de Craudinei, mas aqui é Jonilso que tá falando.

Valeu!

Jonilso


                                                 (texto recebido por e-mail, autor desconhecido)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fico sem você


Se eu fico sem você, meu coração logo fica triste,
emudece a minha boca, decresço, morro...
Corro de encontro a solidão, 
ganho traços de velho cão sem dono.
Largado á mercê da tristeza, no tempo sem uma âncora,
ligeiramente sou devagar, solto um grito.
Isolado sem meus pensamentos,
Confiança quero ter, mas não fico tão feliz
Coração espedaçado, brincadeira sem graça é ficar sem você.
Se eu fico sem você, meu coração logo fica com medo.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Despir=


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Gloriosa dor carrasca da vida finita
chama viva que baila pelo meu peito.
Oh, fúria cheia de desamores, ilusões em meu olhar
conta-me quanto vale o viver
numa aurora perdurada sem o sol?

Conturbado o coração com a perplexa vontade no morrer,
sinta no canto dos pássaros a realidade fugaz. 
Conviva com o sonolento mover longínquo de mim, mas dentro dessa dor,
dor que tem o nome sem solidão.
Que vive a perturbar meu sincero pensamento.

Agora penso já saber o que estou sentindo
só com o pulsar do coração
é uma dor profunda e fria 
não alimentarei mais angustias: viver basta
procurarei me despir, mesmo a nudez me condene ao fim.








sábado, 26 de junho de 2010


A princesa das águas dorme a beira mar,
Canta o canto da vida em seu colo
Dá vida ao seu encanto tão mar.

A princesa das águas corre em sonhos toda maternal
ajuda os filhos teus em maremotos sofridos
Ela dança nas areias para afastar toda a dor.

É princesa de ternura, cheia da graça marítima
cuida com o azul de seu canto de mãe a ninar
princesa sereia que protege os filhos que cuidam do mar.

21.05.2019

Medo

 http://renanmatavelli.files.wordpress.com/2009/12/tristeza.jpg


 A tristeza me povoa de medo.
Meu pensamento ainda é o mesmo
No entanto não anseio o mesmo de antes.
Teus olhos abertos e vivos é que não me dão vitalidade
estão longe de mim,
não sei o que ser sem você perto.
Meu medo de te perder faz-me objeto sem valor.
Minh’alma canta aflita a dor,
meus olhos te vêm e sentem o  ardor.
Arde o medo, na possibilidade de um dia nunca mais te ver.
.
 http://delta2imagens.no.sapo.pt/sou.JPG

Sou sua primavera,
as cores que ofuscam seu olhar.
sou a saudade do perfume nas flores,
Sou minha imperfeita nostalgia,
na rosa a florir, que morre por nao poder te amar.
Sou o nada dentro do tudo,
e para você quero sempre estar dentro do tudo
mesmo sendo um nada qualquer.
Sou o andarilho, que procurar teu abrigo,
sou o frio que deseja seu calor.
Sou o medo a cada instante
de não ter o poder de te fazer rir.